Como trabalhar histórias infantis com atividades antes, durante e depois da leitura
Trabalhar histórias infantis na escola vai muito além de ler um livro para as crianças e, em seguida, pedir um desenho sobre o que ouviram. Quando a leitura é planejada com intencionalidade, ela se transforma em uma oportunidade para desenvolver a imaginação, ampliar o vocabulário, estimular a oralidade e aproximar os alunos do universo da leitura e da escrita.
Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as histórias também ajudam as crianças a compreender sentimentos, conhecer diferentes realidades, levantar hipóteses e construir conhecimentos sobre o mundo.
Mas como organizar esse momento para que ele seja realmente significativo? O que fazer antes de abrir o livro, como envolver os alunos durante a narrativa e quais atividades propor depois da leitura?
Neste artigo, você encontrará orientações práticas e ideias de atividades para trabalhar histórias infantis em diferentes etapas, respeitando a idade das crianças e os objetivos de aprendizagem.
Por que trabalhar histórias infantis na escola?
As histórias infantis oferecem inúmeras possibilidades de aprendizagem. Por meio dos personagens, dos acontecimentos e dos conflitos apresentados na narrativa, as crianças ampliam suas experiências e encontram oportunidades para expressar ideias, emoções e opiniões.
A leitura frequente também contribui para a formação de leitores, mesmo antes de a criança aprender a ler convencionalmente. Ao observar as ilustrações, acompanhar a narrativa, fazer perguntas e tentar compreender o que está escrito, ela começa a construir conhecimentos sobre a linguagem escrita.
Entre as principais contribuições do trabalho com histórias infantis, podemos destacar:
Desenvolvimento da linguagem oral: as crianças aprendem palavras novas, organizam pensamentos e compartilham suas ideias.
Ampliação do vocabulário: o contato com diferentes narrativas apresenta expressões e palavras que nem sempre aparecem nas conversas cotidianas.
Estímulo à imaginação: personagens, cenários e acontecimentos despertam a criatividade e a curiosidade.
Desenvolvimento da escuta e da atenção: acompanhar uma história ajuda a criança a ouvir, compreender e relacionar informações.
Construção de conhecimentos: as narrativas podem abordar animais, natureza, família, amizade, diferenças, sentimentos e muitos outros temas.
Aproximação com a leitura e a escrita: o contato com livros e diferentes gêneros textuais favorece a compreensão da função social da escrita.
O mais importante é compreender que a leitura não precisa terminar quando o professor fecha o livro. Ela pode ser o ponto de partida para novas conversas, brincadeiras, investigações e produções.
Como planejar o trabalho com histórias infantis?
Antes de escolher as atividades, vale pensar no que você deseja proporcionar às crianças por meio daquela história.
Uma narrativa sobre animais, por exemplo, pode despertar a curiosidade sobre os hábitos de cada espécie. Já um conto que apresenta conflitos entre personagens pode abrir espaço para conversar sobre sentimentos, escolhas e convivência.
Para organizar a proposta, considere três aspectos:
1. Escolha da história: selecione um livro adequado à faixa etária, com uma narrativa interessante, ilustrações que contribuam para a compreensão e um tema relacionado aos objetivos pedagógicos.
2. Intencionalidade pedagógica: defina o que deseja explorar. Pode ser a oralidade, a sequência dos acontecimentos, a identificação dos personagens, a construção de hipóteses ou algum conhecimento específico.
3. Participação das crianças: planeje momentos em que os alunos possam observar, falar, perguntar, imaginar e produzir algo a partir da leitura.
Uma estratégia bastante útil é organizar o trabalho em três etapas: antes, durante e depois da leitura. Cada uma delas tem uma função diferente e contribui para que a experiência seja mais rica.
1. Atividades antes da leitura: desperte a curiosidade das crianças
O momento anterior à leitura é uma oportunidade para despertar o interesse dos alunos e ativar conhecimentos que eles já possuem sobre o assunto.
Em vez de começar imediatamente a contar a história, apresente o livro, explore a capa e convide a turma a imaginar o que poderá acontecer.
Não é necessário preparar uma atividade longa. Uma conversa breve, acompanhada de boas perguntas, já pode criar um ambiente de curiosidade e participação.
Explore a capa e as ilustrações
Mostre a capa do livro e permita que as crianças observem os personagens, as cores, os objetos e os cenários.
Faça perguntas como:
O que vocês estão vendo na capa?
Quem será o personagem principal dessa história?
Onde vocês acham que essa história acontece?
O que será que vai acontecer com esse personagem?
Que nome vocês dariam a essa história se não conhecessem o título?
Escute as respostas sem antecipar a narrativa. O objetivo é estimular a observação, a imaginação e a expressão oral.
Na Educação Infantil, as crianças podem responder apontando elementos das imagens, falando palavras isoladas ou construindo pequenas frases. Nos anos iniciais, é possível ampliar a proposta, pedindo que justifiquem suas hipóteses.
Converse sobre o tema da história
Outra possibilidade é iniciar uma conversa sobre o assunto que aparece no livro.
Se a história fala de animais, pergunte quais animais as crianças conhecem e onde costumam encontrá-los. Se aborda amizade, convide os alunos a pensar sobre o que significa ser um bom amigo.
Essa conversa ajuda a estabelecer relações entre a narrativa e as experiências das crianças.
É importante, porém, não transformar esse momento em uma explicação longa. Reserve espaço para a história e evite apresentar todos os acontecimentos antes de começar a leitura.
Apresente um objeto relacionado à narrativa
Objetos concretos também podem despertar a curiosidade da turma.
Se você vai ler uma história sobre um jardim, por exemplo, pode apresentar uma folha caída, uma flor ou uma lupa. Em uma narrativa sobre animais, pode utilizar um brinquedo, uma figura ou um fantoche.
Convide as crianças a observar o objeto e levantar hipóteses sobre sua relação com a história.
Essa estratégia é especialmente interessante para crianças pequenas, pois aproxima a narrativa de experiências concretas e favorece a exploração sensorial.
Ideia prática: o que será que vem por aí?
Materiais: um livro infantil e, se desejar, um objeto relacionado à história.
Como fazer:
Organize as crianças em roda, de modo que todas consigam visualizar o livro.
Apresente a capa e leia o título.
Peça que observem as ilustrações e digam o que imaginam que acontecerá.
Registre algumas hipóteses oralmente ou em um cartaz.
Inicie a leitura e retome as previsões em outro momento.
Objetivo: estimular a curiosidade, a oralidade, a observação e a formulação de hipóteses.
2. Atividades durante a leitura: envolva as crianças na narrativa
Durante a leitura, o professor ajuda a turma a acompanhar os acontecimentos e compreender o que está sendo contado.
Isso não significa interromper a história a todo momento. O segredo é encontrar um equilíbrio entre a continuidade da narrativa e as oportunidades de participação.
Leia com expressividade, varie a entonação quando fizer sentido, mostre as ilustrações e respeite o tempo de observação das crianças.
Faça pausas em momentos estratégicos
Em algumas partes da história, interrompa brevemente a leitura para convidar os alunos a pensar sobre o que está acontecendo.
Você pode perguntar:
O que aconteceu com o personagem?
Por que vocês acham que ele fez isso?
Como será que ele está se sentindo?
O que vocês imaginam que vai acontecer agora?
O que vocês fariam no lugar dele?
Essas perguntas favorecem a compreensão da narrativa e ajudam as crianças a relacionar os acontecimentos.
Na Educação Infantil, priorize perguntas simples e relacionadas às imagens e às ações dos personagens. No Ensino Fundamental I, você pode propor reflexões sobre as motivações dos personagens, as relações de causa e consequência e as possíveis soluções para os conflitos.
Explore as ilustrações
As imagens não servem apenas para enfeitar o livro. Elas podem trazer informações importantes para a compreensão da história.
Convide os alunos a observar expressões faciais, cenários, objetos e detalhes que complementam o texto.
Pergunte, por exemplo, como o rosto do personagem ajuda a entender o que ele está sentindo ou o que aparece na ilustração que não foi mencionado diretamente na narrativa.
Essa prática também contribui para que as crianças aprendam a interpretar informações visuais.
Utilize recursos para tornar a narrativa mais expressiva
Dependendo da história, você pode utilizar fantoches, figuras dos personagens, objetos, sons ou gestos.
Uma narrativa sobre a chuva, por exemplo, pode incluir sons produzidos com as mãos. Uma história sobre animais pode ser acompanhada de movimentos e sons característicos, quando isso contribuir para a compreensão.
Esses recursos devem estar a serviço da narrativa, e não substituir o contato com o livro.
Também é possível convidar as crianças a repetir uma frase que aparece várias vezes na história. A repetição favorece a participação e ajuda a turma a reconhecer elementos que se mantêm ao longo do texto.
Respeite o ritmo da história
Nem toda leitura precisa ter muitas intervenções. Algumas narrativas pedem que as crianças acompanhem os acontecimentos com tranquilidade, enquanto outras favorecem a participação constante.
Observe a turma e faça escolhas de acordo com o livro, a faixa etária e o objetivo da proposta.
Se as crianças estiverem muito envolvidas na narrativa, evite interrompê-las apenas para cumprir uma lista de perguntas. A experiência de ouvir uma história também merece espaço.
Ideia prática: pare e imagine
Materiais: um livro infantil com momentos de suspense, mudanças ou situações inesperadas.
Como fazer:
Inicie a leitura normalmente.
Em um momento importante, faça uma pausa antes de revelar o que acontecerá.
Convide as crianças a imaginar a continuação.
Ouça algumas respostas e incentive diferentes possibilidades.
Continue a leitura para descobrir o que realmente aconteceu.
Ao final, converse sobre as hipóteses levantadas e compare-as com os acontecimentos da narrativa.
Objetivo: desenvolver a imaginação, a oralidade, a compreensão e a capacidade de antecipar acontecimentos.
3. Atividades depois da leitura: amplie as possibilidades de aprendizagem
Depois da leitura, as crianças podem retomar os acontecimentos, compartilhar impressões e expressar o que compreenderam por meio de diferentes linguagens.
Essa etapa não precisa resultar obrigatoriamente em uma atividade escrita ou em um desenho. Dependendo da história e dos objetivos, a turma pode dramatizar, brincar, conversar, organizar imagens, produzir um reconto ou investigar algo que despertou sua curiosidade.
A melhor proposta é aquela que mantém uma relação clara com a narrativa e oferece às crianças uma oportunidade real de aprendizagem.
Faça uma roda de conversa sobre a história
Reúna as crianças para conversar sobre o que ouviram.
Você pode perguntar qual personagem chamou mais a atenção, qual parte acharam interessante, que situação as surpreendeu ou como a história terminou.
Na Educação Infantil, valorize as falas espontâneas e permita que as crianças expressem suas interpretações de diferentes maneiras.
Nos anos iniciais, também é possível conversar sobre o problema apresentado na narrativa, as decisões dos personagens e as relações entre os acontecimentos.
Não existe uma única resposta para todas as perguntas sobre uma história. O importante é ajudar os alunos a sustentar suas ideias com elementos da narrativa.
Proponha o reconto da história
O reconto permite que as crianças recuperem os principais acontecimentos e organizem a sequência narrativa.
Na Educação Infantil, elas podem recontar oralmente, utilizando as próprias palavras, gestos, fantoches ou imagens dos personagens.
No Ensino Fundamental I, podem produzir um reconto coletivo, ditando o texto ao professor, ou escrever individualmente, de acordo com suas possibilidades de leitura e escrita.
Uma estratégia simples é preparar imagens com cenas importantes da narrativa e pedir que a turma as organize na ordem em que os acontecimentos ocorreram.
Depois, convide as crianças a explicar o que aconteceu em cada cena.
Organize uma dramatização
As histórias também podem ganhar vida por meio do faz de conta.
Escolha uma cena ou um episódio que permita a participação das crianças e convide a turma a representar os personagens.
Não é necessário preparar um teatro elaborado, confeccionar figurinos ou decorar falas. A dramatização pode acontecer com gestos, expressões, movimentos e objetos disponíveis na sala.
Além de favorecer a compreensão da narrativa, essa atividade permite explorar a expressão corporal, a criatividade, a interação e a cooperação.
Proponha uma produção artística relacionada à história
O desenho, a pintura, a colagem e a modelagem podem ajudar as crianças a expressar o que perceberam e imaginaram durante a leitura.
Após uma história sobre um jardim, por exemplo, elas podem criar uma representação do ambiente. Depois de uma narrativa sobre animais, podem produzir os personagens utilizando diferentes materiais.
O cuidado principal é não limitar a atividade à cópia de um modelo feito pelo professor.
Ofereça referências quando necessário, mas preserve as escolhas das crianças. Elas podem representar a mesma história de maneiras diferentes, e essas diferenças também revelam como cada uma interpretou a narrativa.
Relacione a história com uma investigação
Alguns livros despertam perguntas que podem ser exploradas em outras propostas pedagógicas.
Se a narrativa apresenta sementes, plantas ou animais, a turma pode observar elementos da natureza, comparar características ou acompanhar o crescimento de uma planta.
Se a história aborda meios de transporte, é possível investigar quais veículos as crianças conhecem e como eles são utilizados.
Nesse caso, a leitura deixa de ser uma atividade isolada e passa a integrar uma sequência de experiências.
Ideia prática: reconstruindo a história
Materiais: imagens de três a cinco acontecimentos importantes de um livro já lido.
Como fazer:
Apresente as imagens fora de ordem.
Convide as crianças a observar cada cena.
Peça que organizem as imagens de acordo com os acontecimentos da história.
Converse sobre o que aconteceu primeiro, depois e no final.
Incentive a turma a recontar a narrativa com base na sequência organizada.
Para crianças que ainda estão desenvolvendo a oralidade, ofereça apoio com perguntas e pistas visuais. Para alunos alfabetizados, amplie a proposta com legendas ou frases sobre cada cena.
Objetivo: desenvolver a compreensão da narrativa, a memória, a organização temporal e a expressão oral ou escrita.
Sugestões de atividades com histórias infantis para cada etapa escolar
A mesma história pode ser trabalhada de diferentes maneiras, conforme a idade das crianças e os objetivos de aprendizagem.
Veja algumas possibilidades para adaptar à sua turma.
Educação Infantil
Antes da leitura
Explorar a capa e imaginar quem são os personagens.
Observar um objeto relacionado ao tema.
Conversar sobre experiências que tenham relação com a história.
Durante a leitura
Observar as expressões dos personagens.
Fazer pausas para imaginar o que acontecerá.
Repetir frases ou expressões que aparecem na narrativa.
Depois da leitura
Recontar a história com fantoches.
Desenhar uma cena de que a criança gostou.
Dramatizar movimentos dos personagens.
Organizar imagens para reconstruir os acontecimentos.
Na Educação Infantil, dê preferência a propostas que envolvam escuta, oralidade, brincadeira, movimento, imaginação e expressão artística. O registro gráfico pode fazer parte da experiência, mas não precisa aparecer em todas as leituras.
Ensino Fundamental I — 1º e 2º anos
Antes da leitura
Ler o título e levantar hipóteses sobre o assunto.
Observar a capa e identificar informações visuais.
Conversar sobre o que a turma já sabe sobre o tema.
Durante a leitura
Antecipar acontecimentos.
Identificar personagens e cenários.
Observar palavras ou expressões que ajudam a compreender a narrativa.
Depois da leitura
Organizar cenas em sequência.
Produzir um reconto oral ou coletivo.
Criar legendas para ilustrações.
Registrar por escrito uma parte importante da história.
Nessas turmas, as atividades podem contribuir para a compreensão leitora e para a produção escrita, respeitando os diferentes níveis de aprendizagem presentes na sala.
Ensino Fundamental I — 3º ao 5º ano
Antes da leitura
Analisar o título e a capa para formular hipóteses.
Conversar sobre o gênero textual e suas características.
Relacionar o tema a outras leituras ou experiências.
Durante a leitura
Identificar pistas que ajudam a compreender as intenções dos personagens.
Observar como o narrador apresenta os acontecimentos.
Fazer inferências e revisar hipóteses.
Depois da leitura
Escrever uma nova versão do final.
Produzir uma resenha ou recomendação do livro.
Reescrever uma cena sob o ponto de vista de outro personagem.
Comparar duas versões de uma mesma narrativa.
Nessa etapa, é possível aprofundar a interpretação, a análise da linguagem e a produção de textos, sempre de acordo com os objetivos de aprendizagem e o percurso da turma.
Como relacionar a leitura de histórias à BNCC?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) valoriza as experiências com a linguagem, a literatura, a oralidade, a leitura e a escrita, considerando as especificidades de cada etapa da Educação Básica.
Na Educação Infantil, a leitura de histórias pode contribuir especialmente para os campos de experiências Escuta, fala, pensamento e imaginação e O eu, o outro e o nós. Conforme a proposta, também pode envolver Traços, sons, cores e formas e Corpo, gestos e movimentos.
Alguns objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que podem ser relacionados a essas experiências são:
EI03EF03: escolher e folhear livros, orientando-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas.
EI03EF04: recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente encenações, definindo contextos, personagens e estrutura da história.
EI03EF05: recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba.
EI03EF08: selecionar livros e textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto ou para a própria leitura, utilizando critérios como tema e ilustrações.
Esses códigos são referentes às crianças pequenas, na faixa etária de 4 anos a 5 anos e 11 meses, conforme a organização da BNCC.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o trabalho pode ser relacionado às práticas de linguagem do componente curricular Língua Portuguesa, especialmente leitura e escuta, oralidade e produção de textos.
A habilidade específica deve ser escolhida de acordo com o ano escolar, o gênero textual e a aprendizagem que se pretende desenvolver. Por isso, é importante consultar o documento da BNCC e o currículo da rede de ensino antes de registrar o código no planejamento.
Mais importante do que incluir um código no plano é garantir que a atividade tenha um objetivo claro e seja adequada às necessidades dos alunos.
Como avaliar a aprendizagem após a leitura de uma história?
A avaliação pode acontecer durante todas as etapas do trabalho, por meio da observação das crianças e de suas diferentes formas de participação.
Não é necessário aplicar uma atividade avaliativa formal depois de cada leitura. Em muitas situações, a conversa, o reconto, a organização de imagens e as produções das crianças já oferecem informações importantes sobre o que elas compreenderam.
Durante a proposta, observe se os alunos:
Demonstram interesse pela narrativa e pelas ilustrações.
Compartilham ideias, opiniões ou hipóteses.
Identificam personagens e acontecimentos importantes.
Estabelecem relações entre diferentes partes da história.
Conseguem recontar algum trecho com ou sem apoio.
Expressam suas interpretações por meio da fala, do desenho, da dramatização ou da escrita.
Na Educação Infantil, considere as possibilidades de expressão de cada criança. Uma criança pode demonstrar compreensão ao apontar uma imagem, imitar uma ação ou comentar um acontecimento, mesmo que ainda não consiga recontar toda a história verbalmente.
Nos anos iniciais, observe também como os alunos localizam informações, fazem inferências e organizam suas produções orais e escritas.
Os registros do professor ajudam a acompanhar os avanços e a planejar novas experiências de leitura.
Erros que podem prejudicar o trabalho com histórias infantis
Mesmo com boas intenções, algumas práticas podem reduzir as possibilidades de aprendizagem proporcionadas pela literatura infantil.
Transformar toda leitura em uma ficha de atividades. Nem sempre é necessário responder a perguntas escritas ou produzir um desenho. As crianças também precisam vivenciar a leitura pelo prazer de ouvir, imaginar e descobrir histórias.
Interromper a narrativa a todo momento. Muitas perguntas podem prejudicar a continuidade da história. Faça intervenções em momentos estratégicos e preserve o envolvimento das crianças.
Exigir que todas as crianças produzam o mesmo resultado. Cada aluno interpreta e representa a narrativa de uma maneira. Valorize as diferentes formas de expressão e respeite o desenvolvimento de cada um.
Escolher uma história apenas porque combina com uma atividade pronta. O livro deve ter valor como experiência literária. A proposta pedagógica precisa partir da narrativa, e não obrigar a história a servir como justificativa para uma atividade sem relação com ela.
Explicar a moral da história antes de ouvir as crianças. Quando a narrativa apresenta valores ou conflitos, permita que os alunos compartilhem suas interpretações. Em vez de oferecer uma conclusão pronta, faça perguntas que favoreçam a reflexão.
Trabalhar sempre com os mesmos tipos de livros e propostas. Explore contos tradicionais, poemas, narrativas contemporâneas, histórias acumulativas, livros de imagem e outros gêneros adequados à turma.
A leitura se torna mais significativa quando as crianças percebem que os livros oferecem diferentes experiências, perguntas e maneiras de compreender o mundo.
Exemplo de planejamento: trabalhando uma história do início ao fim
Para visualizar como as três etapas podem funcionar na prática, imagine uma proposta com o livro A Cigarra e a Formiga.
A história permite explorar a sequência narrativa, os personagens, as mudanças de situação e as diferentes interpretações sobre trabalho, planejamento, cooperação e responsabilidade.
Objetivo: desenvolver a escuta, a oralidade, a compreensão da narrativa e a capacidade de expressar opiniões sobre as atitudes dos personagens.
Antes da leitura: apresente a capa ou imagens da cigarra e da formiga. Pergunte o que as crianças sabem sobre esses animais e o que imaginam que acontecerá na história.
Durante a leitura: mostre as ilustrações e faça uma pausa em um momento importante, convidando a turma a imaginar o que acontecerá com os personagens. Explore as expressões e as atitudes de cada um.
Depois da leitura: converse sobre os acontecimentos e as escolhas dos personagens. Pergunte o que chamou a atenção das crianças e se elas imaginavam aquele desfecho. Em seguida, proponha um reconto com imagens ou um desenho de uma cena importante.
Avaliação: observe como as crianças acompanham a narrativa, identificam os personagens, compartilham suas ideias e reconstroem os acontecimentos.
Na Educação Infantil, a proposta pode priorizar a oralidade, a observação das imagens e a expressão artística. Nos anos iniciais, pode ser ampliada com a produção de um reconto escrito, a comparação entre versões da fábula ou uma discussão sobre diferentes pontos de vista.
O mesmo livro, portanto, pode gerar experiências distintas, conforme a faixa etária e os objetivos definidos pelo professor.
Conclusão
Trabalhar histórias infantis antes, durante e depois da leitura é uma maneira de tornar o contato com os livros mais participativo e significativo. Ao preparar a turma para a narrativa, fazer intervenções durante a leitura e propor experiências relacionadas ao que foi ouvido, o professor amplia as oportunidades de aprendizagem.
Não é preciso preparar atividades complexas ou utilizar muitos materiais. Uma boa história, perguntas bem escolhidas e espaço para as crianças se expressarem já podem produzir experiências muito ricas.
O mais importante é lembrar que cada etapa tem sua função: antes da leitura, despertamos a curiosidade; durante a narrativa, acompanhamos e construímos sentidos; depois, retomamos, expressamos e ampliamos o que vivenciamos.
Quando a leitura passa a fazer parte da rotina escolar de maneira intencional e prazerosa, os livros deixam de ser apenas um recurso para trabalhar determinado conteúdo e se tornam companheiros das descobertas, da imaginação e da aprendizagem.
E você, professor, como costuma trabalhar histórias infantis com sua turma?
Tem algum tema que você gostaria de saber mais? Me escreva: professorqueinspira@professorqueinspira.com.br